Avançando na prática
Gêneros Textuais
Registro da experiência
OFICINA 03- - 26 DE MAIO: TP3 – Unidades 10 e 11
Turma: 9º ANO VERMELHO
Assunto: POESIA
Gêneros Textuais:
Podemos considerar que os gêneros dividem-se em dois grandes grupos: os literários e os não-literários. Entre os literários está o gênero poético, composto por poemas. A maneira de trabalhar com as palavras, explorando sua sonoridade, suas significações, as imagens sonoras e poéticas criam, constitui o traço mais marcante do gênero poético.
Em prática:
Levei para os alunos uma letra musicada, Cio Da Terra – Milton Nascimento. Cantamos fazendo o acompanhamento da música seguindo a letra por escrito.
Fizemos uma interpretação do texto, levando em consideração tema, autor/leitor/ouvinte, formas de expressão, aspectos na construção dos sentidos, idéias sugeridas e/ou explícitas, e debatemos as razões pelas quais os alunos gostaram, ou não, da canção.
Comparamos com outras poesias como Construção – Chico Buarque e Soneto do amigo – Vinícius de Moraes
Provoquei então, uma reflexão sobre a compatibilidade entre oralidade e escrita e sobre o fato de que alguns gêneros podem ser realizados pelas duas modalidades, enquanto outros só ocorrem por escrito, ou oralmente.
Identificamos juntos quem é o autor e quem são os ouvintes/leitores a quem se destina o texto canção.
Chegamos então à conclusão, de que os gêneros textuais estão em toda a parte, não apenas na escola.
Relatório:
Os alunos me surpreenderam nas análises. Chegaram à conclusão de que o texto literário se caracteriza pela exploração de imagens que as palavras podem criar e pela finalidade de proporcionar prazer aos leitores ou ouvintes.
Muitos deles, nunca tinham ouvido música de Chico Buarque, e as músicas que conheciam de Milton Nascimento eram àquelas conhecidas como Canção da América. As poesias de Vinícius de Moraes eram famosas apenas por ouvir falar.
A satisfação em aplicar essa atividade foi tamanha, principalmente por ter podido levar ao conhecimento desses alunos esses autores/poetas tão importantes na nossa literatura.
Poesias trabalhadas:
CIO DA TERRA
(MILTON NASCIMENTO)
Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar do pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão
CONSTRUÇÃO
(CHICO BUARQUE)
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
SONETO DO AMIGO
(VINÍCIUS DE MORAES)
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

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